segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


O Blog Cerioli deseja iniciar este ano de 2012 trazendo alguns ritmos tradicionais de nossa cultura. A diversidade destes ritmos, alguns que serão apresentados, é que dissemina o samba.







Lundu






Primeira expressão afro-brasileira popularizada para além das senzalas, progressivamente incorporada aos hábitos da elite como música de salão. Como manifestação, inaugurou a tradição das danças de roda no Brasil. O tom satírico empregado pelos negros e escravos retratava a relação com seus senhores, inserindo o duplo sentido no cancioneiro popular. Seus primeiros registros datam do final do século XVIII. (Texto do CD Amarelo, de Juliana Ribeiro)




Maxixe




Confira um video: http://www.youtube.com/watch?v=9RhdcgPZ-x0

No final do século XIX, o bairro da Cidade Nova exportou para o resto do Rio de Janeiro uma apropriação das danças europeias que virou uma moda: o Maxixe, um modo de dançar o lundu em pares enlaçados associado ao ritmo de polca. Chamado também de tango brasileiro, foi rapidamente transposto para partituras de piano. Inicialmente não se configurou como gênero musical, mas sim como dança: era comum se dançar schottichs, polcas e valsas à moda do maxixe. (Texto do CD Amarelo, de Juliana Ribeiro)





Jongo




Confira um video: http://www.youtube.com/watch?v=Y9afQa7Il9Y&NR=1&feature=endscreen

Manifestação no Sudoeste do Brasil principalmente na Zona rural. Tem como base o ponto, uma espécie de charada musical lançada à roda como um desafio a ser desvendado. Trazido do Congo e de Angola ainda no período escravocrata. Tem forte relação com as religiões de matrizes africanas. O fogo é seu elemento ritual e serve também para afinar o tambu (ou caxambu), o candongueiro e o ngoma-puíta, tambores tidos como entidades. (Texto do CD Amarelo, de Juliana Ribeiro)





Batuque






Confira um video: http://www.youtube.com/watch?v=vrJ2geR77pY&feature=related

Nos registros dos visitantes, exploradores e políticos do século XIX, esta palavra tanto nomeia ritmo, rito religioso, quanto as práticas lúdicas de origem africana. Acontecia nas senzalas, terreiros, mas também nas ruas, sendo tocado com tabaques, pandeiros, berimbaus, além do coro e palmas. Era comum dentro da roda o surgimento do jogo da capoeira vinda de Angola, pela similaridade dessas expressões. (Texto do CD Amarelo, de Juliana Ribeiro)





Samba




Para além de gênero musical, o samba é antes de tudo uma manifestação cultural. Herdeiro direto do batuque, suas rodas agregam o coletivo em torno de música, dança, bebidas e comidas. Apresenta diversas vertentes a aprender do local onde é praticado e das matrizes que o constituíram. Da herança banto, trouxe a roda e a presença da umbigada, marca registrada do samba-de-roda baiano, por exemplo. Sua capacidade de agregar a diversidade o posicionou como um ícone de brasilidade, desde a década de 1930. (Texto do CD Amarelo, de Juliana Ribeiro)
















segunda-feira, 2 de janeiro de 2012



RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummond de Andrade)




“Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.”


Um abençoado 2012

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O JESUS DO EVANGELHO DE LUCAS NAS NARRATIVAS DA INFÂNCIA



As narrativas da Infância foram vistas por muito tempo como folclore, como pequenas histórias, com um cunho mais de curiosidade sobre os primeiros anos da vida de Jesus, do que propriamente como um conteúdo teológico. Talvez isso ocorreu pelo Natal ser uma festa tão popular, ou pelo fato do Evangelho de São João possuir um prólogo bem elaborado sobre o Verbo de Deus que se fez carne (Jo 1,1-18), ou ainda pelo o Evangelho de Marcos que já no primeiro versículo apresenta quem é Jesus Cristo (Mc 1,1). Todavia, os evangelistas Lucas e Mateus trazem nos dois primeiros capítulos de suas obras as narrativas da infância de Jesus. Lucas é considerado o teólogo da história da Salvação. História esta que ele começa a apresentar a partir dos primeiros versículos do seu evangelho, das narrativas da infância de Jesus. Por este motivo, os textos da infância de Jesus em Lucas foram escolhidos para a análise e identificação de algumas imagens de Jesus que ele constrói. É por meio destas imagens que se chegará ao Jesus nas narrativas da infância de Lucas.
Lucas é o autor do terceiro evangelho e o responsável pela redação do livro dos Atos dos Apóstolos. A sua obra, o terceiro Evangelho, foi escrita pelos anos 80 d.C. O autor era um homem culto do mundo helênico e um historiador cuidadoso, judeu-cristão de língua grega, que vivia numa comunidade heterogênea entre judeus e gentios. Por ter sido um grande conhecedor da filosofia, mitologia e literatura grega como também da tradição judaica, é que a sua mensagem pôde ser compreendida por ambos os povos. Foi um discípulo que se alegrou ao ter encontrado a salvação em Jesus Cristo, mesmo não sendo uma testemunha ocular de Jesus.
Em Lucas capítulo 1-2, tem-se uma luz de todo o acontecimento pascal, assim, esses capítulos são uma introdução de todo o evangelho. As narrativas da infância trazem alguns traços bem particulares nos aspectos teológicos, antropológicos e literários de sua estrutura. A sua intensão teológica é apresentar os acontecimentos da história salvífica realizada na história humana tendo como centro e origem Jesus Cristo. Ao mostrar este fazer salvífico, ele partir de Deus como princípio de tudo, pois a história da salvação se inicia n’Ele, passando pelo tempo de preparação, o povo de Israel, pelo tempo de realização, Encarnação de Jesus Cristo, até chegar no tempo de continuação pela força do Espírito Santo presente na Igreja. Nos aspectos antropológicos apresentam no seu evangelho nomes (Isabel, Zacarias, João Batista), lugares (a uma virgem na cidade de Nazaré) e tempos (no tempo de Herodes, rei da Judeia) com a intenção de mostrar Jesus inserido no cotidiano do ser humano, que vive e participa da vida das pessoas, sem excluir ninguém. Ele utiliza o gênero literário chamado de Midrash aggada. Este gênero faz um aprofundamento espiritual da palavra de Deus e resgata os personagens procurando tirar deles diferentes lições e os coloca como modelos para a comunidade cristã. Duas características literárias particulares em Lucas: a apresentação de uma ordem lógica através da cronologia dos acontecimentos, período do reinado de Herodes, a família de Jesus que vai a Jerusalém para a festa da Páscoa, e o paralelismo, que é uma técnica literária comum do mundo helenístico e na Palestina helênica do século I, onde os escritores procuravam compararem os atos entre dois heróis, o autor do terceiro evangelho usou dessa técnica, colocando em paralelo João e Jesus. A narrativa da infância está estruturada em sete pontos: Anúncio do nascimento de João Batista (1,5-25), Anúncio do nascimento de Jesus (1,26-38), Visita de Maria a Isabel (1,39-56), Nascimento – circuncisão – ato de dar o nome a João Batista (1,57-80), Nascimento – circuncisão – ato de dar o nome a Jesus (2,1-21), Apresentação de Jesus no templo (2,22-40), Encontro de Jesus no templo (2,41-52). As fontes usadas por Lucas foram: às fontes escritas, a tradição oral, o escrito de Marcos, a fonte Quelle (Q) e outros diversos materiais.
A narrativa da Infância de Jesus em Lucas se dá propriamente em Lc 1,5 - 2,52. A organização destes dois capítulos traz lugares, tempo, contexto religioso, personagens e ações. É através desta organização que Lucas apresenta o seu Jesus. Estas características são identificadas por títulos ou imagens. Estes títulos têm a finalidade de fixar o anúncio fundamental e compreensivo de Deus que se fez homem e habitou no meio da humanidade, através dos diversos e incompreensíveis caminhos escolhidos por Ele (Zacarias 1,5-25 e Maria 1,26-38). Deus demonstra o seu poder, a sua presença desde a preparação com o anúncio a Zacarias e o nascimento de João Batista.
No primeiro capítulo se encontram os anúncios: a Zacarias (1,5-25) e a Maria (1,26-38), a visita de Maria a Isabel, essa perícope, quer mostrar o encontro de duas mães com concepções divinamente preparadas (1,39-56), e o nascimento de João Batista (1,57-80). Neste capítulo Lucas destaca os títulos cristológicos referentes a Jesus: Senhor (1,17.43.76), Filho do Altíssimo (1,32), O Santo (1,35), Filho de Deus (1,35) e o Astro luminoso – Sol nascente(1,78). O segundo capítulo inicia com o nascimento de Jesus e a visita dos pastores (2,1-20), a apresentação de Jesus no templo (2,21-40), e termina com Jesus aos doze anos no templo (2,41-52). Algumas imagens cristológicas sobre Jesus apresentada pelo autor do terceiro evangelho neste capítulo são: Salvador (2,11; 2,30), Messias (2,11.26) e Senhor (2,15). Estes títulos veterotestamentais foram tomados originalmente de Isaías, e foram modificados, ligados ao Querigma cristão. Estes títulos são dados em ocasião do nascimento de Jesus, e eles trazem dentro de si uma profissão de fé.
Ressalto por fim, que Lucas busca já nas narrativas da infância demonstrar o porquê da encarnação do Filho de Deus e que esta criança é realmente o Filho de Altíssimo. Pois já a partir dos anúncios e da forma em que se dá a concepção dela, mostram a intervenção divina: “O Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (1,35). E aqui é interessante observar: Lucas não tem nenhuma preocupação em satisfazer a curiosidade de sua comunidade em relação de como foi a infância de Jesus, mas Lucas, através dos títulos, apresenta Jesus como Aquele que cumpre a promessa do Pai, que realiza o plano salvífico de Deus, que vem se fazer presente e presença no meio de todos os povos.




Draiton Vieira,CSF
Estudo revela que fazer pré-escola melhora desempenho escolar de crianças

Agência Brasil


O estudo “Impactos da Pré-Escola no Brasil” revelou que as crianças que fazem pré-escola acabam por ter um desempenho melhor nas séries posteriores, principalmente nas matérias de matemática e português. O levantamento foi realizado pelo Centro de Microeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A pesquisa teve como base os dados da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes ao ano de 2005. De acordo com André Portela Souza, coordenador geral do estudo, a criança que é colocada na pré-escola apresenta, em média, redução no atraso escolar de cerca de um ano e dois meses e aumento na proficiência de matemática
de 0,47 desvio padrão, o que corresponderia, segundo ele, a três anos a mais de escolaridade.
“É como se fosse quase cerca de um ano a mais de escolaridade no aprendizado. A criança que faz [a pré-escola] tem um ano a mais em termos de conteúdo quando chega à 4ª série”, disse Souza, durante apresentação de seu trabalho nesta semana, em São Paulo.
Segundo ele, em 2005, havia cerca de 10 milhões de crianças de 4 a 6 anos de idade no Brasil, dentre as quais 7,1 milhões frequentavam a pré-escola, o que corresponde a 72% do total. Nesse mesmo ano, o País destinava 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. No entanto, a maior parte dos gastos era destinada para a educação superior. Ainda de acordo com Souza, em 2005, o Brasil dedicava o equivalente a 120% da renda per capita do País para cada aluno do ensino superior e um valor condizente a 10% dessa renda para cada aluno de pré-escola. “Investimentos educacionais na infância têm impactos duradouros”, afirmou o pesquisador.
Um resumo do estudo pode ser lido no livro
Aprendizagem Infantil – Uma Abordagem da Neurociência, Economia e Psicologia Cognitiva, coordenado por Aloísio Araújo e lançado pela Academia Brasileira de Ciências. Na apresentação da obra, Araújo declara que “para corrigir as desigualdades educacionais e permitir um maior desenvolvimento econômico através da incorporação de um número maior de adolescentes em faixas mais elevadas de educação, é preciso fazer intervenções na fase mais precoce da criança”.
A apresentação da pesquisa “Impacto da Pré-Escola no Brasil” fez parte do workshop “Impactos da Educação Infantil: O Que Nos Diz a Evidência Empírica”, o qual foi realizado pela FGV nesta semana. Em todos os estudos apresentados, ficou clara a importância de se investir na educação infantil.

sábado, 12 de novembro de 2011

Geração facilitada

Artigo publicado na newsletter semanal +Educação
Revista Profissão Mestre: www.profissaomestre.com.br
12/11/2011





O termo “geração facilitada” tenta traduzir um pouco da realidade dos jovens de classe média brasileira que têm a vida muito mais facilitada que a de seus pais, que ainda trabalham para tentar lhes oferecer melhores condições, boas escolas, vários cursos e intercâmbios.
Em seu artigo “Meu filho, você não merece nada”, a jornalista e escritora Eliane Brum comenta que “há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.”
Chamo de geração facilitada porque acabam tendo tudo na mão e não existe um estímulo para conquista. Já têm o celular, computador, iPod, carro, conforto e mais um pouco. O que resta na conquista?
Com relação à escolha da profissão, percebemos uma dificuldade na seleção do curso e muita expectativa quanto ao primeiro emprego. Não querem submeter-se a cargos de estagiários em empresas pouco promissoras. Desejam experiências mais atraentes em termos de salários e reconhecimento.
Talvez escolham uma carreira pela “onda” do momento: relações internacionais, petróleo, turismo, tecnologia – áreas altamente promissoras. Só que, na maioria dos casos, a escolha não está ligada ao seu perfil. Buscam uma realização pessoal e acabam perdendo o foco da realização do grupo, porque, numa organização, o que conta é o sucesso da equipe, da empresa como um todo, não apenas de um único talento (qualquer semelhança com a Seleção Brasileira de futebol é pura coincidência).
Foram ensinados a superar desafios sozinhos e agora precisam aprender a compartilhar conhecimento e melhorar os relacionamentos. Expõem todos os desejos nas redes sociais e querem compreensão desse novo universo. Um desafio para todos que estão envolvidos com o processo da sua educação: professores e recrutadores que passam pela difícil tarefa de desenvolver habilidades com essa turma de nativos digitais, enquanto nós ainda estamos aprendendo sobre esse mundo. Bela troca, não?
Acredito ser assim que a sociedade vai se ajustando, a cada novo momento, novas oportunidades. A realidade será aquilo que nós mesmos inventarmos.

Autora:
Leticia Bechara é mestre em Educação e coordenadora do vestibular da Trevisan Escola de Negócios, de São Paulo (SP).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ponto de exclamação

Fragmento de uma postagem do Zeca Camargo em 20/10/11






Sei que eu mesmo sou mestre em abusar dessa pontuação. Acho que é um tique meu! Sempre coloquei esse sinal em tudo quanto é texto que eu escrevo. Mas – você vai concordar – nunca as pessoas escreveram com tanta ênfase na exclamação. Com as mensagens cada vez mais curtas, parece que todo mundo agora precisa dar ainda mais intensidade ao que diz. Gostou de um filme? Adorei!!!!!!!!!! E o show do Guns? O melhor!!!!!!!!!!!! E a festa de ontem? O bicho!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! A piada que eu twitei? Kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas nessa onda de exageros, é interessante observar que às vezes basta apenas uma exclamação para chamar a sua atenção. Tão preocupados estamos sempre em dar a dimensão da nossa intenção nessas mensagens rápidas, que nos esquecemos que o que conta mesmo é o que vem antes da exclamação. Caso em questão: os artistas que participam da exposição “Em nome dos artistas”, atualmente em cartaz no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Nos cartazes e em toda a programação gráfica da mostra os nomes dos convidados vêm seguidos de uma simples exclamação. Basta isso!
Estou para falar disso já há alguns dias, desde que visitei a mostra na semana de sua abertura. Outros assuntos acabaram entrando na frente, mas aqueles pontos de exclamação não me saem da cabeça – quem sabe agora, já que eu vou tentar te convencer a ir até lá. Ao fazer esse convite, sei bem que estou sendo injusto com quem não mora em São Paulo, ou não tem a facilidade de passar pela cidade até o início de dezembro (quando ela se encerra). Mas é que, ao contrário de outros eventos culturais que eu costumo mostrar aqui (filmes, música, TV), arte tem essa “coisa chata” de se deslocar pouco. Na verdade, é a gente que tem de ir até ela. Dá trabalho, eu sei. Eu mesmo já cheguei a fazer loucuras, apenas para ver “a última loucura” de um artista que eu gostava bem – como foi o caso, em julho de 2008, das cataratas artificiais de Olafur Eliasson em Nova York (artista este que, aliás, também ganha agora uma exposição em São Paulo – sobre a qual pretendo escrever assim que conseguir visitar). Então quem sabe você não se anima?



Escrito por Zeca Camargo

http://g1.globo.com/platb/zecacamargo/

O professor e as evoluções tecnológicas

no ensino presencial

Artigo publicado na newsletter semanal +Educação
Revista Profissão Mestre: www.profissaomestre.com.br
04/11/2011






Como membro da meia idade, nascido no final dos anos 1960, eu fui educado em uma época com poucas informações, as quais eram obtidas através dos poucos jornais televisivos e da mídia impressa. Entre assistir a televisão e jogar bola, a segunda opção era sempre a preferida. Até por estas escolhas, éramos ingênuos, inocentes e pouco informados sobre o que se passava ao nosso redor, o qual se limitava ao perímetro da rua ou da vizinhança.
Hoje tudo mudou. Com um ano e meio ou dois, a criança já se inicia no mundo tecnológico através dos controles remotos da televisão, do vídeo e da TV a cabo, tendo a sua disposição dezenas de canais infantis a qualquer hora. Aos seis ou sete anos, já dominam diversas tecnologias, em alguns casos ensinando seus pais ou avós. Crescem com o mundo na ponta dos dedos, fazendo amigos em redes sociais, conversando em chats e enviando mensagens via SMS. Não hesitam em escolher o computador à rua ou à bicicleta.
Neste novo cenário, o professor tem um novo papel, não menos relevante, porém totalmente diferente. O docente deixa de ser a autoridade em sala de aula, uma vez que não é mais o detentor único das informações. Imagine que tarefa maçante para o aluno decorar ou copiar a definição de um conceito, quando este pode ser encontrado no “doutor Google”, segmentado por autores, épocas ou escolas. Entra em cena o trabalho conjunto, no qual professor e aluno trabalham em sua construção, através de metodologias como a geração de ideias ou brainstorming, mesclando com exemplos sua aplicação em casos práticos.
O que dizer então de uma aula expositiva de noventa minutos? Nem o mais compenetrado dos alunos será capaz de permanecer atento após o final do primeiro tempo. Tente lembrar-se de todos os lances da partida de seu time do coração. Esta tarefa se torna ainda mais impossível a uma geração que está habituada a fazer diversas atividades ao mesmo tempo. Incentivar a participação dos alunos, solicitando que compartilhem suas experiências, faz com que consigam fazer a ponte entre teoria e prática. Faço, porém, uma observação: a troca necessita ser verdadeira, respeitando eventuais diferenças de janela, ajudando o aluno a construir sobre sua experiência.
Outra grande barreira entre as gerações está nos canais de transmissão das informações. Há ainda muitos professores que têm antipatia às novas ferramentas disponibilizadas pela web e pelas universidades, tais como portais on-line, nos quais há a possibilidade de postagem de trabalhos, criação de grupos de discussão, conteúdos interativos, só para citar algumas aplicações.
Nada contra o método tradicional dos trabalhos em folha de caderno, porém não aproveitar os recursos hoje disponíveis pode sugerir aos alunos uma postura ultrapassada e conservadora. Por fim, o conhecimento compartimentado é outra grande dificuldade de professores e alunos. Aprendemos desde a mais tenra idade a estudar as matérias separadamente. História, Geografia, Química, Biologia, Matemática e Português. Ao ingressar na universidade – como num curso de Administração – o aluno ainda precisa virar a chave entre as aulas: recursos humanos, finanças, marketing, produção.
Não obstante algumas iniciativas para a criação de matérias interdisciplinares, o conhecimento é ainda, em grande parte, colocado em caixas. Há alguns programas de graduação e pós-graduação na área de negócios que têm utilizado, com sucesso, simuladores de treinamento, através dos quais os alunos conseguem ter uma visão integrada do negócio, tomando decisões como se estivessem atuando na vida real, fazendo a ligação entre as diversas disciplinas.
Enfim, estamos em uma nova era e com novos alunos. Fazer com que consigam manter o interesse e a motivação na sala de aula é tarefa exclusiva das escolas e principalmente dos professores, os quais precisam estar constantemente aprendendo novas técnicas e métodos de ensino. Aliás, este é um dos desafios mais interessantes e motivadores da carreira de professor, os quais têm o privilégio de poder inovar a cada aula, a cada interação, a cada curso. Como mestres, temos o papel de influenciar, conduzir e motivar. Neste cenário, discussões são possíveis e incentivadas, ou pelo menos deveriam.



Autor: Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie (RJ) e professor tutor da FGV (RJ).